Mordidas, arranhões, acidentes com perfurocortantes, exposição a agentes biológicos e químicos, esforço físico durante a contenção de animais. A rotina veterinária envolve riscos ocupacionais que precisam ser reconhecidos e gerenciados.
O tema ganhou atenção recente após um acidente fatal envolvendo uma médica veterinária em Brasília. Ao abordar o caso, o CFMV reforçou que profissionais da área podem estar expostos a riscos biológicos, químicos, ergonômicos, físicos e de acidentes.
Para clínicas e hospitais, a prevenção também é uma questão de gestão.
O primeiro passo é conhecer os riscos da sua operação
Os riscos não são iguais em todos os setores de um Hospital Veterinário.
Na internação, por exemplo, a equipe pode lidar frequentemente com contenção e manipulação de pacientes. No centro cirúrgico, entram outros riscos relacionados a perfurocortantes, equipamentos e agentes químicos. Já quem trabalha com radiologia possui exposições específicas da atividade.
Por isso, a gestão precisa olhar para como o trabalho realmente acontece em cada setor, identificando perigos e situações que podem causar acidentes ou agravos à saúde.
A NR-1 determina que as organizações façam o gerenciamento dos riscos ocupacionais, com identificação dos perigos, avaliação dos riscos e adoção de medidas de prevenção.
EPI é importante, mas a prevenção não termina nele
Fornecer luvas, aventais, máscaras e outros equipamentos aplicáveis a cada atividade faz parte da prevenção. Porém, simplesmente disponibilizar um EPI não corrige uma rotina insegura.
Pense em um cão que exige contenção para determinado procedimento. Se a equipe não possui treinamento, o número de profissionais é insuficiente ou a contenção é realizada de maneira improvisada, entregar equipamentos de proteção não elimina o risco daquele processo.
Protocolos, capacitação, estrutura adequada e definição de como determinadas atividades devem ser realizadas também precisam fazer parte da rotina.
A equipe precisa saber como agir
Um acidente não deveria ser a primeira ocasião em que a clínica discute segurança.
Os profissionais precisam conhecer os riscos relacionados às suas funções, as medidas de prevenção e o que fazer quando ocorre uma exposição ou acidente. A própria NR-1 prevê que trabalhadores recebam informações sobre riscos ocupacionais e os meios utilizados para preveni-los e controlá-los.
Na prática, isso envolve situações simples e frequentes: o que fazer após um acidente com agulha? Como comunicar uma mordida? Quem deve ser avisado? Onde o episódio será registrado?
Quando ninguém sabe responder, existe uma fragilidade no processo.
Um acidente também deve gerar revisão
Registrar o ocorrido é importante, mas a gestão pode ir além e investigar por que ele aconteceu.
Houve falha no protocolo? Faltou treinamento? A estrutura contribuiu? O equipamento utilizado era adequado? O mesmo tipo de acidente já aconteceu anteriormente?
A NR-1 estabelece que a avaliação dos riscos deve ser revista, entre outras situações, após a ocorrência de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.
Isso ajuda a transformar um episódio em oportunidade de prevenção, evitando que a mesma condição continue presente na rotina.
Segurança também é responsabilidade da gestão
Na Medicina Veterinária, alguns riscos fazem parte da natureza das atividades. Isso não significa que devam ser tratados como inevitáveis.
A gestão precisa conhecer os riscos presentes no estabelecimento, estruturar medidas de prevenção e garantir que a equipe saiba como trabalhar e agir diante deles.
A pergunta, portanto, não deve surgir apenas depois de um acidente: a sua clínica está preparada para preveni-lo hoje?
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