Divulgar preço de consulta veterinária sempre foi uma dúvida comum entre clínicas, hospitais e profissionais da Medicina Veterinária. Afinal, muitos gestores queriam responder com clareza quando um tutor perguntava “quanto custa?”, mas tinham receio de infringir normas éticas.
Com a Resolução CFMV nº 1.649/2025, a publicidade veterinária passou a ter critérios mais claros para a divulgação de valores. A nova regra não libera qualquer tipo de anúncio com preço, porém permite a comunicação de valores em situações específicas, desde que a informação seja feita com ética, discrição, transparência e sem estimular concorrência por preço. A norma estabelece que a publicidade profissional não deve implicar deslealdade, engano ou abuso.
Em outras palavras: o preço pode ser informado, mas precisa estar dentro de um contexto responsável.
Afinal, pode divulgar preço de consulta veterinária?
Sim, é possível divulgar preço de consulta veterinária quando o serviço tem valor previamente definido e não depende das particularidades clínicas do paciente para ser dimensionado.
Isso significa que uma clínica pode, por exemplo, informar o valor de uma consulta clínica, de uma consulta com especialista ou de um serviço cujo preço não varie conforme espécie, raça, idade, peso, sexo, histórico clínico ou risco individual do animal.
O CRMV-RJ também explicou que valores fixos de serviços de rotina, como consultas e vacinas, podem ser divulgados, enquanto atos cirúrgicos continuam exigindo avaliação clínica individualizada antes da definição de preço.
Além disso, o CRMV-SP reforçou que a menção a valores pode ocorrer em alguns casos, desde que o serviço não envolva avaliações complexas que variem conforme o caso clínico.
Portanto, a pergunta correta não é apenas “posso divulgar preço?”, mas sim: esse preço é fixo, transparente e não depende de avaliação prévia do paciente?
O que pode na divulgação de preços veterinários
A divulgação de preços pode acontecer quando a comunicação é informativa, discreta e bem contextualizada. Na prática, a clínica pode:
Responder comentários ou mensagens perguntando o valor
Se um tutor pergunta no Instagram, WhatsApp ou Google quanto custa uma consulta, a clínica pode responder de forma clara.
Exemplo: “Olá! A consulta clínica é R$ 180. Esse valor inclui anamnese, exame físico geral e orientações iniciais. Exames, medicações ou procedimentos adicionais são avaliados separadamente, conforme necessidade do paciente.”
Perceba que o preço aparece com contexto. Além disso, a mensagem não promete resultado, não pressiona o tutor e não transforma o valor no principal argumento de venda.
Criar posts explicando o que está incluso no serviço
A clínica também pode publicar uma arte ou legenda explicando o valor de uma consulta ou atendimento, desde que a comunicação seja educativa.
Exemplo: “Consulta de oftalmologia veterinária: R$ 450. O atendimento inclui avaliação clínica oftálmica, anamnese, exame ocular inicial e orientação sobre próximos passos. Exames complementares ou tratamentos são indicados apenas após avaliação.”
Esse tipo de comunicação ajuda o tutor a entender o valor do serviço. Além disso, posiciona a clínica com profissionalismo, porque mostra o que compõe o atendimento, e não apenas o preço.
Enviar tabela de serviços por WhatsApp
Também é possível enviar uma arte ou mensagem com preços de serviços para clientes e possíveis clientes, inclusive em grupos, desde que os valores sejam de serviços que não dependam de avaliação prévia.
Por exemplo, uma clínica pode divulgar valores de consulta clínica, consulta com especialista, vacinação com preço fixo ou serviços administrativos, desde que tudo esteja descrito de forma verdadeira e sem apelo sensacionalista.
O que não pode na divulgação de preços veterinários
A Resolução CFMV nº 1.649/2025 veda a divulgação de valores ou tabelas referenciais de cirurgias ou procedimentos clínicos que, pelas particularidades de cada paciente, exigem avaliação prévia e completo dimensionamento da assistência, inclusive riscos. A norma cita fatores como espécie, raça, idade, peso, sexo e histórico clínico.
Portanto, não é adequado divulgar preço fechado para serviços que variam conforme o animal.
Não pode divulgar preço fechado de procedimentos que dependem do paciente
Exemplos de serviços que geralmente exigem avaliação prévia:
- Castração;
- Anestesia;
- Procedimentos cirúrgicos;
- Medicações;
- Internação;
- Procedimentos que variam por peso, idade, espécie, raça ou condição clínica.
Um anúncio como “castração de machos por apenas R$ 80” pode gerar problema porque o valor pode depender do peso, do risco anestésico, da espécie, do histórico do paciente e dos recursos envolvidos. Além disso, expressões como “por apenas”, “o menor preço da região”, “promoção imperdível” ou “mais barato que a concorrência” podem aproximar a comunicação de uma disputa por preço, o que é arriscado para a imagem da clínica e para a ética profissional.
A própria resolução também veda associar a prestação de serviços a condutas anticompetitivas, preços predatórios, venda casada ou comunicação que priorize lucro em detrimento dos valores éticos e da qualidade técnica.
Como divulgar preço do jeito certo
A melhor forma de divulgar preço de consulta veterinária é unir três elementos: valor, contexto e responsabilidade.
Em vez de publicar apenas “consulta R$ 150”, prefira explicar: “Consulta clínica veterinária: R$ 150. Atendimento com avaliação geral, anamnese e orientações iniciais. Exames, vacinas, medicações ou procedimentos adicionais não estão inclusos e são indicados apenas quando necessários.”
Esse formato é mais seguro porque informa sem banalizar o atendimento. Além disso, educa o tutor sobre o que está incluso e evita interpretações equivocadas.
Exemplos práticos
Exemplo permitido
“Consulta clínica para cães e gatos: R$ 180. Inclui anamnese, exame físico geral e orientação inicial. Exames e medicações, quando necessários, são avaliados separadamente.”
Exemplo que exige cuidado
“Vacina X: R$ 120. Aplicação mediante avaliação do paciente e conferência do histórico vacinal.” Esse exemplo pode ser aceitável se a clínica deixar claro que há avaliação prévia e que a aplicação depende da condição do animal.
Exemplo inadequado
“Castração por apenas R$ 80. O menor preço da cidade!” Nesse caso, há dois problemas: o procedimento depende das particularidades do paciente e a linguagem estimula concorrência por preço, não por qualidade técnica.
Conclusão
Divulgar preço de consulta veterinária passou a ser possível em contextos específicos, mas isso não significa transformar a publicidade veterinária em promoção comercial. A regra central é simples: preços de serviços com valor fixo podem ser comunicados com ética, clareza e discrição. Já procedimentos que dependem de avaliação prévia do paciente não devem ser divulgados com valor fechado.
Para clínicas e hospitais veterinários, essa mudança é uma oportunidade de comunicar melhor, reduzir dúvidas dos tutores e fortalecer a confiança. No entanto, isso precisa ser feito com estratégia, revisão técnica e respeito às normas do CFMV.
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